Ana Sofia Morais Soares na Revista Trends

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As luzes fortes cansam-me. As luzes demasiado brancas cansam-me. O excesso de iluminação em espaços públicos é proporcionalmente responsável pelo menor tempo que aí quero estar. E, hoje em dia, o desconforto é diário…

O restaurante sempre agradável que de repente se transforma num quase laboratório de faculdade, o supermercado que passa a ter ambiente de zona fabril, a sala de espera onde só conseguimos estar de óculos escuros, ou o quarto de hotel com um conforto idêntico ao de uma lavandaria. Já para não falar das casas dos amigos, dos tios, dos primos que seguindo a mesma nova tradição quase nos desconvidam a ficar.

É verdade: há necessidade de baixarmos os consumos;
É verdade: temos novas alternativas extraordinárias que o fazem;
É verdade: já nem são tão dispendiosas, e continua a ser verdade que já é fácil encontrarmos essas opções à venda até em supermercados ao lado de casa.
Mas, também é verdade que poucos perdem tempo a estudaras novas alternativas, menos sabem quais as equivalências e quase ninguém se preocupa com a temperatura da cor.

A linguagem mudou. Temos de exigir que nos expliquem sempre que surjam dúvidas. Temos de estudar e de perder tempo a ensinar. Lúmenes não são Watts, Kelvin não é uma maionese.
Não tenho memória de ver tantos espaços que foram agradáveis e que o seriam ainda, não fosse a urgência de baixar o consumo energético, desacompanhado de um estudo para a uma correta opção.

Para quê perdermos tempo a criar um bom ambiente em estofos, tapeçarias, revestimentos de parede, peças decorativas com uma iluminação pensada para valorizar todo o espaço, se, mal viramos costas, o cliente, num acesso de poupança, consegue com a simples alteração da iluminação destruir a justificação da nossa contratação?!

Perguntem. Perguntem sempre.